Bernadette Lyra

Escritora e professora de cinema

Entre os grandes nomes da literatura produzida no Espírito Santo, Bernadette Lyra ocupa posição de destaque pela originalidade de sua obra e pela expressiva contribuição às letras e aos estudos do cinema no Brasil. 

Nascida em Conceição da Barra (ES), Bernadette Lyra é escritora de ficção, professora de cinema e professora emérita da Universidade Federal do Espírito Santo. Na capital paulista foi professora titular de mestrado da Universidade Anhembi-Morumbi e professora colaboradora da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), onde também realizou seu doutorado em Cinema. Foi professora visitante da Universidade de Algarve, em Portugal, e na França fez o pós- doutorado na Paris V, Sorbonne. Uma de suas valiosas contribuições como pesquisadora audiovisual foi a elaboração do conceito de “Cinema de Bordas”, associado ao circuito de produção de filmes periféricos voltados para o imaginário popular e a participação de comunidades.

Sua obra literária distingue-se pela linguagem refinada, pelo humor sutil, pela ironia e pela profunda investigação da condição humana. Em seus romances, novelas, contos e crônicas, Bernadette cria personagens marcantes e universos narrativos que dialogam com a memória, a identidade, o desejo e as transformações sociais, revelando um olhar singular sobre a cultura brasileira e, especialmente, sobre o imaginário capixaba.



Autora de mais de 15 livros, tem participação em antologias nacionais e internacionais, com obras que já lhe renderam importantes prêmios e indicações.

"Memórias das Ruinas de Creta" (1995) foi finalista no premio Jabuti e "Ulpiana" (2019) foi finalista no premio internacional Oceanos.  

Em 2016, foi eleita para ocupar a Cadeira nº 1 da Academia Espírito-Santense de Letras (AEL), instituição da qual integra o quadro de imortais, reafirmando sua relevância para a cultura e a literatura do Espírito Santo. Um dos maiores exemplos do diálogo com a história do Espírito Santo é o romance A Panelinha de Breu (1992), obra inspirada na lenda de Maria Ortiz, na qual a autora revisita um dos episódios mais emblemáticos da história capixaba por meio de uma narrativa inventiva, crítica e repleta de referências culturais. Outras obras: As Contas no Canto, O Jardim das Delícias, Corações de Cristal ou a Vida Secreta das Enceradeiras, Aqui Começa a Dança, O Parque das Felicidades, A Capitoa, Água Salobra, dentre outros.

Com uma produção marcada pelo rigor estético, pela experimentação narrativa e pelo permanente diálogo entre memória, história e imaginação, Bernadette Lyra consolidou-se como uma das escritoras mais importantes do cenário literário brasileiro. Sua obra transcende fronteiras regionais sem perder o vínculo com suas origens, projetando a literatura capixaba para o cenário nacional e internacional e reafirmando o papel do Espírito Santo como território de grandes criadores da palavra.

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